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Quanto cobrar pela toxina botulínica: como calcular o custo por unidade e o lucro de cada aplicação

Passo a passo para precificar a toxina botulínica: custo por unidade, perdas, insumos, maquininha, impostos e custo fixo, com um exemplo de conta completo.

Equipe Aplicabela 7 min de leitura

"Quanto cobrar pela toxina?" é uma das perguntas mais comuns de quem está começando, e a resposta mais comum ("cobre o que a concorrência cobra") é a mais arriscada. O preço da colega não diz nada sobre o seu custo: quanto você paga no frasco, quanto perde de produto, quanto vai para a maquininha e quanto custa manter o consultório aberto.

Este guia mostra como calcular o custo de uma aplicação de toxina botulínica, unidade por unidade, e chegar a um preço que paga tudo e ainda deixa lucro. No fim, tem um exemplo completo com números.

Resumo: some o custo do produto (unidades usadas × custo por unidade), a perda de produto, os insumos e o custo fixo da sua hora; depois, separe as porcentagens que saem do preço (maquininha e impostos). Com isso você sabe o seu preço mínimo e quanto sobra de verdade em cada aplicação.

Passo 1: o custo por unidade

Comece pelo produto. Divida o valor pago no frasco pelo número de unidades dele:

Custo por unidade = valor do frasco ÷ unidades do frasco

Exemplo: um frasco de 100 U comprado por R$ 750 custa R$ 7,50 por unidade. Se na aplicação você usou 50 U, o produto custou R$ 375.

Dois cuidados:

  • Use o preço real, com frete e tudo o que vier na nota.
  • Unidades de marcas diferentes não são equivalentes. Toxinas apresentadas em frascos de 300 U ou 500 U, por exemplo, têm unidades próprias. Faça a conta sempre com as unidades do produto que você usou.

Passo 2: perdas e sobras

Nem toda unidade comprada vira unidade aplicada. Depois de reconstituído, o frasco tem um prazo de uso definido na bula, e o que sobra quando não há paciente nesse período se perde. Também há perda no preparo e no ajuste da revisão, quando você não cobra por ele.

Uma forma simples de colocar isso na conta é somar uma porcentagem de perda ao custo do produto. Se, para cada 10 unidades aplicadas, 1 se perde, some 10%.

Passo 3: insumos

Seringas, agulhas, luvas, gaze, antisséptico, anestésico tópico, soro para reconstituir, máscara e touca. Somados, dão um valor por atendimento. No exemplo, vamos usar R$ 25.

Passo 4: maquininha e impostos

Esses custos são uma porcentagem do preço, e por isso pesam mais quanto mais caro você cobra:

  • Maquininha: débito, crédito à vista e parcelado têm taxas diferentes, e o parcelado costuma custar várias vezes o débito. O Pix costuma ser o mais barato.
  • Impostos: dependem do seu regime (autônoma, Simples Nacional e outros). No exemplo, vamos usar 6%, mas confirme o seu número com o contador.

Passo 5: o custo fixo por hora

Aluguel ou sublocação de sala, anuidade do conselho, internet, celular, sistema, contador, divulgação e material de limpeza: tudo o que você paga todo mês, aplicando ou não.

Custo fixo por hora = custos fixos do mês ÷ horas de atendimento no mês

Exemplo: R$ 4.000 de custos fixos para 80 horas de atendimento dão R$ 50 por hora. Se a aplicação de toxina leva 1 hora e a revisão mais 30 minutos, o custo fixo dessa paciente é de R$ 75.

Esse é o passo que mais gente esquece, e o motivo de muita profissional sentir que trabalha muito e sobra pouco.

O exemplo completo

Uma aplicação de 50 U, cobrada a R$ 1.200 e paga no crédito à vista:

Item Conta Valor
Produto 50 U × R$ 7,50 R$ 375,00
Perda de produto 10% de R$ 375 R$ 37,50
Insumos por atendimento R$ 25,00
Custo fixo 1 h 30 min × R$ 50 R$ 75,00
Maquininha 4% de R$ 1.200 R$ 48,00
Impostos 6% de R$ 1.200 R$ 72,00
Custo total R$ 632,50
Lucro R$ 1.200 − R$ 632,50 R$ 567,50 (47%)

Se a mesma aplicação fosse paga no Pix, sem os R$ 48 da maquininha, o lucro subiria para R$ 615,50.

Qual é o seu preço mínimo

Com os custos na mão, dá para saber o menor preço que ainda deixa a margem que você quer. Separe o que é valor em reais do que é porcentagem do preço:

Preço mínimo = custos em reais ÷ (1 − porcentagens do preço − margem desejada)

No exemplo, os custos em reais somam R$ 512,50 (produto, perda, insumos e custo fixo) e as porcentagens somam 10% (maquininha e impostos). Para ter 30% de margem:

R$ 512,50 ÷ (1 − 0,10 − 0,30) = R$ 512,50 ÷ 0,60 = R$ 854,17

Ou seja: abaixo de cerca de R$ 855, essa aplicação deixa menos de 30% de lucro. Acima disso, você tem espaço para definir o preço pelo seu atendimento, pela sua experiência e pela sua região.

Cobrar por unidade, por região ou por protocolo?

Forma A favor Contra
Por unidade Transparente: a paciente paga o que usou Abre espaço para pechincha e para comparar só o preço da unidade
Por região (testa, glabela, pés de galinha) Fácil de entender e de divulgar Quem precisa de mais produto pode dar prejuízo se a conta não estiver certa
Por protocolo (ex.: terço superior) Valoriza o atendimento, não só o produto Exige explicar bem o que está incluído

Seja qual for a forma, deixe claro se a revisão está incluída e o que acontece se for preciso complementar.

O que aumenta o lucro sem aumentar o preço

  1. Retorno em dia. Uma paciente de toxina que volta a cada 4 meses faz 3 aplicações por ano. A R$ 1.200 cada, são R$ 3.600 por ano de uma paciente só, sem gastar com anúncio para trazê-la de novo. Cada manutenção esquecida é dinheiro que fica na mesa. Veja os modelos de mensagem para a paciente voltar.
  2. Menos perda de produto. Agrupar as aplicações de toxina dentro do prazo do frasco aberto reduz a sobra. Para isso, é preciso saber quanto resta em cada frasco.
  3. Menos produto vencido. Controle de validade evita jogar frasco fora. O guia de controle de lote e validade mostra como organizar.
  4. Forma de pagamento. Incentivar Pix ou débito reduz a taxa. O parcelamento pode entrar no preço como a opção mais cara.

Na Aplicabela, você cadastra as taxas da sua maquininha uma vez e o custo de cada lote na entrada do estoque. Daí em diante, cada aplicação mostra quanto entrou, quanto saiu em produto e taxa e quanto sobrou. Os relatórios mostram o recebido e o lucro mês a mês, e quanto cada procedimento deu de lucro no período.

Perguntas frequentes

Quanto cobrar por unidade de toxina botulínica?

Não existe um valor único: depende do seu custo, da sua região e do seu posicionamento. Calcule primeiro o seu preço mínimo, com os passos acima, e depois compare com o mercado da sua cidade. Cobrar abaixo do custo para "ganhar paciente" costuma atrair justamente quem só compara preço.

Devo incluir a revisão no preço?

Muitas profissionais incluem, porque a revisão faz parte do resultado e garante que a paciente volte. Se incluir, coloque o tempo dela no custo fixo da aplicação (como no exemplo) e deixe por escrito o que a revisão cobre.

Como dar desconto sem ter prejuízo?

Conheça o seu preço mínimo antes. Desconto que deixa o preço abaixo dele é prejuízo, mesmo com a agenda cheia. Prefira descontos que se pagam, como o do Pix, que você compensa com a taxa da maquininha que deixa de pagar.

Qual é uma boa margem de lucro na toxina?

Depende da sua estrutura e dos seus objetivos. O importante é conhecer a sua: muitas profissionais descobrem, ao fazer a conta, que a margem real é bem menor do que imaginavam, porque esqueceram a perda de produto e o custo fixo.

Amanhã de manhã, saiba quem chamar. Os primeiros 14 dias são por nossa conta.

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